Instant karma


20-03-07


Hoje eu acordei, e preparei o café devagar.

Coloquei Alanis Morissette pra tocar, por que

ela me faz bem, me acalma. Hoje tudo parece devagar.

A chuva parece não querer cair, o vento deu

uma pausa, o relógio parece estar com preguiça de

mover os ponteiros. Meu instinto me disse que

eu devia ir na Lan, assistir uns clipes na internet.

Sabe, acho que ele tem razão. Tô precisando mesmo.

Amanhã é meu niver. E por quê diabos isso nunca, nunca,

nunca me deixa bem? Eu deveria acordar amanhã,

e me sentir vencedor, por ter passado mais um ano neste planeta.

 Mas por que não me sinto assim? Eu deveria acordar,

assoprar velas, estourar balões, abrir presentes, atender as 300

ligações no meu celular, me dando parabéns, dar atenção

a todas as pessoas que vieram de longe pra me visitar,

beber com elas, conversar sobre planos futuros, projetos

que finalizei... e alguém ia me perguntar sobre o amor,

e eu diria” está ótimo, obrigado”... Mas eu sei como será.

Não tem festa, nem pessoas de longe, nem balões, nem ligações,

nem projetos realizados.... só... eu, e um filhote de gambá

que anda rodeando o terreno ao lado de casa. Talvez eu o

convide pra uma festa a dois. Será que ele sabe assoprar uma

língua de sogra?

 

 

 

Escrito por Lennon às 18h04
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Hoje eu sonhei que havia dado um passeio. Andei pelas ruas.

Entrei numa farmácia, e as pessoas me olhavam.

Como se tivesse algo de errado com a minha roupa.

Andei, e as pessoas que passavam tinham o olhar triste.

Algumas olhavam pro chão, como se procurassem algo.

Algumas nem sequer piscavam. Não olhavam pra mim.

Como se eu não existisse. Andei, e vi vários cachorros

brincando. As pessoas passavam por entre eles. Ás vezes

reclamavam da falta de espaço na calçada. Eu vi que o vento

balançava as árvores com força. As folhas caíam aos montes.

E vi que elas enfeitavam as calçadas. Hoje reparei que as

montanhas estavam lindas. Passei a observá-las. Elas não

me viam, mas sabiam que eu as admirava. Algumas pessoas

pisavam numa poça d´água, e resmungavam. Um carro fez

um moço desequilibrar-se de uma bicicleta. Eles trocaram

insultos e foram cada um pra seu caminho, continuar suas vidas.

Uma criança chorava no colo da mãe, devia estar com fome, já era

hora do almoço. As pessoas na feira vendiam frutas, objetos inúteis,

discos, bolos, roupas... passavam umas pelas outras como se estivessem

num jogo de futebol americano. Algumas mulheres estavam

muito bem vestidas. Uma usava um vestido estampado azul,

muito bonito. Algumas estavam quase nuas. Um senhor de idade

passou por mim, e me olhou fundo nos olhos. Como se tivesse

algo a me dizer. As pessoas na feira me cumprimentavam,

como se eu fosse famoso. eu não conseguia sorrir,

nem achar graça de nada à minha volta. Continuei andando.

Entrei numa rua , cheia de árvores lindas. As folhas

que caíam eram coloridas: amarelas, vermelhas. As pessoas

atiravam coisas em mim, como se eu fosse ruim.

A rua logo ficou deserta e não ouvia ruído nenhum.

Nem os pássaros se moviam. Era como se eu estivesse só.

sentei na calçada, e por muito tempo não ouvi nem um

só barulho. Apenas o vento se mostrava presente.

E o vento não parecia gostar de mim. Ele rosnava

como um cão. E dizia coisas pra me magoar.

Reparei que não tinha pra onde ir. E fiquei ali, sentado,

por muito tempo. Levantei, e continuei andando.

E vi pessoas da minha família. Algumas estavam rindo.

Algumas não tinham expressão alguma no rosto.

Nenhum deles m olhou nos olhos. Mais uma vez,

aquela sensação de que eu não existia.

Eu me sentei novamente numa calçada.

Uma música começou a tocar. Ela me fez bem.

Eu adormeci com um meio-sorriso no rosto.

Eu me perguntava: “pra quê?”...

Escrito por Lennon às 18h00
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Hoje meu dia foi comum. Daqueles que vc

simplesmente faz tudo no piloto automático.

O sol está queimando como nunca. Estava

bebendo água como nunca bebi em toda vida.

Mas quando entrei no ônibus, estava tocando

uma música da Adriana Calcanhoto. Não lembro

o nome, mas sei que de repente me bateu uma paz

muito estranha. Era como se tudo ficasse bom

de repente, ou simplesmente não fizesse diferença

nenhuma. O sol da tarde bateu no meu rosto, e senti

que se eu morresse naquela hora, não ligaria a mínima.

Nossa, que sensação estranha. Nunca senti isso antes.

Achei até que fosse bater as botas, de tão bem que me

senti. Durou enquanto a Adriana cantava. Mas querem saber?

Valeu pelo dia todo. Depois que essa estranha paz se foi, veio

uma melancolia, que também não soube explicar de onde veio.

Mas não me deixou mal, apenas pensativo. Talvez inspirado.

 

bye.

Escrito por Lennon às 17h57
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