
Ando criando um certo gosto pela literatura barroca.
A arte Barroca marcou um momento de crise espiritual
na sociedade européia.
De fato que essa foi uma época compicada. O Homem
barroco estava completamente dividido entre os prazeres
materiais trazidos do Renascimento, E os valores
espirituais,- tão fortes nana idade Média e desprezados
pelo renascimento-,voltaram a exercer forte influência
a mentalidade da época.
Comparado com os outros dois movimentos que integram a
era Clássica, o Classicismo e o Arcadismo, o Barroco
representa um desvio da orientação clássica, já que
procurava, ao mesmo tempo, fundir a experiência
renascentista ao reavivamento da fé Crisã medieval,
colocando em risco certos princípios muito prezados pela
tradição clássica, como o predomínio da razão e do
equilíbrio.
Gosto dos poemas Barrocos, pelas antíteses, apesar que
nem todo texto contruído apartir de antíteses seja
necessáriamente barroco. Alguns textos que se baseiam
em formas e estruturas da era Colonial são totalmente
modernistas. Aliás esta é uma das características do
modernismo, o reaproveitamento e a mistura
de vários aspéctos de movimentos culturais anteriores.
A linguagem também é formidável;
A preocupação com a efermidade do tempo e o carpe diem:
O homem barroco tem a consciência de que a vida terrena
é efêmera, passageira, e por isso é preciso pensar na
salvação espiritual. Mas já que a vida é passageira,
sente, ao mesmo tempo, desejo de gozá-la antes que acabe,
o que resulta num sentimento contraditório, já que gozar
a vida implica pecar, e se há pecado não há salvação.
Destaques que pra mim torna-se necessário comentar,
são as obras de aleijadinho, e a poesia lírica de
Gregório de Matos. Porra, o cara cultivou a poesia
lírica amorosa, religiosa e filosófica. Olha este soneto:
Soneto a D. Ângela de Souza Paredes
Não vira em minha vida a formosura,
Ouvia falar nela a cada dia,
E ouvida me incitava, e me movia
a querer ver tão bela arquitetura:
Ontem a vi por minha desventura
Na cara, no bom ar, na galhardia
De uma mulher, que em Anjo se mentia;
De um Sol, que se trajava em criatura:
Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me,
Se esta a cousa não é, que encarecer-me
Sabia o mundo, e tanto exagerar-me:
Olhos meus, disse então por defender-me
Se a beleza heis de ver para matar-me,
Antes olhos cegueis, do que eu perder-me.
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Destáca-se também este soneto lírico filosófico,
falando das frustrações humanas diante da realidade,
e a conciência da transitoriedade da vida e do tempo,
marcados pelo carpe diem:
Desenganos da vida humana metaforicamente
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que de manhã lisongeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe arrasta presumida.
É planta que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?